Jornal Brasileiro de Pneumologia

ISSN (on-line): 1806-3756

ISSN (impressa): 1806-3713

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Artigo Original

1 - Tabagismo entre asmáticos: avaliação por autorrelato e dosagem de cotinina urinária

Self-reported smoking status and urinary cotinine levels in patients with asthma

Gabriela Pimentel Pinheiro1,2,a, Carolina de Souza-Machado1,3,b, Andréia Guedes Oliva Fernandes4,c, Raquel Cristina Lins Mota5,d, Liranei Limoeiro Lima2,e, Diego da Silva Vasconcellos6,f, Ives Pereira da Luz Júnior7,g, Yvonbergues Ramon dos Santos Silva7,h, Valmar Bião Lima1,4,i, Sérgio Telles de Oliva8,j, Luane Marques de Mello9,k, Ricardo David Couto10,l, José Miguel Chatkin11,m, Constança Margarida Sampaio Cruz12,13,n, Álvaro Augusto Cruz1,14,o

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Resumo English Text

Objetivo: Descrever a frequência de tabagismo ativo entre pacientes com asma e indivíduos sem asma, usando questionários padronizados e dosagem da cotinina urinária. Métodos: Estudo transversal realizado em Salvador (BA), com 1.341 indivíduos, sendo 498 com asma grave, 417 com asma leve/moderada e 426 sem asma. O tabagismo foi identificado por meio de autorrelato utilizando questionários e por mensuração da cotinina urinária. Para a comparação das variáveis estudadas, utilizaram-se os testes do qui-quadrado e de Kruskal-Wallis. Resultados: Dos 55 participantes (4,1%) que se declararam tabagistas atuais, 5, 17 e 33 eram dos grupos asma grave, asma leve/moderada e sem asma, respectivamente. Desses 55, 32 (58,2%) eram tabagistas diários e 23 (41,8%) eram tabagistas ocasionais. Observaram-se níveis elevados de cotinina urinária entre não fumantes autodeclarados e tabagistas pregressos, especialmente no grupo asma grave, o que sugere omissão do hábito atual de fumar. A carga tabágica entre os fumantes e a proporção de ex-tabagistas foram maiores no grupo asma grave do que no grupo asma leve/moderada. Conclusões: O tabagismo pregresso esteve associado à asma grave. Tabagismo atual também foi observado em alguns pacientes com asma grave e detectou-se omissão em alguns casos. A investigação de tabagismo deve ser meticulosa em pacientes com asma grave e a entrevista desses deve ser complementada por uma avaliação objetiva.

 


Palavras-chave: Asma; Fumar; Cotinina.

 

2 - Impacto da radioterapia torácica na função respiratória e capacidade de exercício em pacientes com câncer de mama

Impact of thoracic radiotherapy on respiratory function and exercise capacity in patients with breast cancer

Milena Mako Suesada1,a, Heloisa de Andrade Carvalho2,b, André Luis Pereira de Albuquerque1,c, João Marcos Salge1,d, Silvia Radwanski Stuart2,e, Teresa Yae Takagaki1,f

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Resumo English Text

Objetivo: Avaliar o impacto da radioterapia torácica na função respiratória e capacidade de exercício em pacientes com câncer de mama. Métodos: Pacientes com câncer de mama com indicação de radioterapia torácica após tratamento cirúrgico e quimioterápico foram submetidas a TCAR, avaliação respiratória e avaliação da capacidade de exercício antes da radioterapia torácica e três meses após o término do tratamento. Foram realizados teste de força muscular respiratória, medição da mobilidade torácica e prova de função pulmonar completa para a avaliação respiratória; realizou-se teste de exercício cardiopulmonar para avaliar a capacidade de exercício. A dose total de radioterapia foi de 50,4 Gy (1,8 Gy/fração) na mama ou na parede torácica, incluindo ou não a fossa supraclavicular (FSC). Histogramas dose-volume foram calculados para cada paciente com especial atenção para o volume pulmonar ipsilateral que recebeu 25 Gy (V25), em números absolutos e relativos, e a dose pulmonar média. Resultados: O estudo incluiu 37 pacientes. Após a radioterapia, observou-se diminuição significativa da força muscular respiratória, mobilidade torácica, capacidade de exercício e resultados da prova de função pulmonar (p < 0,05). A DLCO permaneceu inalterada. A TCAR mostrou alterações relacionadas à radioterapia em 87% das pacientes, o que foi mais evidente nas pacientes submetidas à irradiação da FSC. O V25% correlacionou-se significativamente com a pneumonite por radiação. Conclusões: Em nossa amostra de pacientes com câncer de mama, a radioterapia torácica parece ter causado perdas significativas na capacidade respiratória e de exercício, provavelmente por causa da restrição torácica; a irradiação da FSC representou um fator de risco adicional para o desenvolvimento de pneumonite por radiação.

 


Palavras-chave: Neoplasias da mama; Radioterapia; Pneumonite por radiação; Testes de função respiratória; Teste de esforço.

 

3 - Prevalência de deficiência de vitamina D e sua relação com fatores associados à sibilância recorrente

Prevalence of vitamin D deficiency and its relationship with factors associated with recurrent wheezing

Mirna Brito Peçanha1,2,a, Rodrigo de Barros Freitas1,b, Tiago Ricardo Moreira1,c, Luiz Sérgio Silva1,2,d, Leandro Licursi de Oliveira3,4,e, Silvia Almeida Cardoso1,2,f

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Resumo English Text

Objetivo: Determinar a prevalência da deficiência/insuficiência de vitamina D em indivíduos com sibilância recorrente e/ou asma com idade de 0-18 anos e residentes na microrregião de Viçosa (MG) atendidos em um centro de referência e determinar sua associação com os principais fatores de risco para sibilância. Métodos: Estudo transversal utilizando um questionário semiestruturado por entrevistadores treinados, aplicado aos responsáveis pelos participantes do estudo. Foram obtidas informações sobre características gerais da sibilância recorrente, fatores sociodemográficos, ambientais e biológicos gerais e aqueles relacionados à atopia. A magnitude da associação estatística foi avaliada por meio do cálculo da OR e IC95% obtidos por regressão logística múltipla. Resultados: Foram incluídos 124 indivíduos no estudo. A prevalência da deficiência/insuficiência de vitamina D na amostra foi de 57,3%. Observaram-se associações da deficiência/insuficiência de vitamina D com sibilância no primeiro ano de vida, antecedentes pessoais de dermatite atópica, poluição ambiental e suplementação de vitamina D até os 2 anos de idade. Conclusões: A prevalência de deficiência/insuficiência de vitamina D foi alta em nossa amostra. As concentrações de vitamina D foram associadas diretamente com a suplementação de vitamina D até os 2 anos de idade e inversamente com eventos de sibilância no primeiro ano de vida, antecedentes pessoais de dermatite atópica e poluição ambiental.

 


Palavras-chave: Vitamina D; Asma; Sons respiratórios; Menores de idade.

 

4 - Mitomicina C no tratamento endoscópico de estenose traqueal: estudo prospectivo de coorte

Mitomycin C in the endoscopic treatment of tracheal stenosis: a prospective cohort study

Daniele Cristina Cataneo1,a, Aglaia Moreira Garcia Ximenes2,b, Antônio José Maria Cataneo1,c

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Resumo English Text

Objetivo: Avaliar a eficácia da mitomicina C (MMC) no tratamento endoscópico de estenose traqueal. Métodos: Pacientes com estenose laringotraqueal, traqueal ou traqueobrônquica foram tratados por meio de dilatação e MMC tópica. Foram empregados os seguintes critérios de inclusão: pacientes inaptos para cirurgia (por motivos médicos) no momento da avaliação; estenose membranosa com boa resposta a dilatação e estenose pós-operatória no local da anastomose. Foram analisadas as seguintes variáveis: etiologia da estenose; indicação de tratamento com MMC; local e extensão da estenose, bem como a porcentagem de estenose; presença de traqueostomia e tempo de seguimento. Os desfechos avaliados foram 12 meses ou mais sem sintomas, número de dilatações com aplicação de MMC tópica e complicações. Resultados: Vinte e dois pacientes (15 homens e 7 mulheres) foram tratados entre 2003 e 2010. As causas da estenose foram intubação endotraqueal em 15 pacientes e cirurgia em 8. A estenose traqueal pura foi observada em 13 pacientes, a subglótica, em 4, a traqueobrônquica, em 3 e a complexa, em 2. A extensão da estenose variou de 0,5 a 2,5 cm, e a porcentagem de estenose variou de 40 a 100%. Nove pacientes haviam sido submetidos a traqueostomia e apresentavam tubo T de Montgomery in situ. O tratamento teve êxito em 14 pacientes, que permaneceram sem sintomas durante pelo menos 12 meses. O número de aplicações de MMC tópica variou de 1 a 5, e as complicações foram infecção fúngica, queloide, granuloma e enfisema mediastinal. Conclusões: A MMC é aparentemente eficaz no tratamento endoscópico de estenose traqueal.

 


Palavras-chave: Estenose traqueal; Mitomicina; Endoscopia.

 

5 - Descumprimento da lei que proíbe a venda de cigarros para menores de idade no Brasil: uma verdade inconveniente

Noncompliance with the law prohibiting the sale of cigarettes to minors in Brazil: an inconvenient truth

André Salem Szklo1,a,Tânia Maria Cavalcante2,b

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Resumo English Text

Objetivo: Fornecer um cenário atualizado do cumprimento da lei que proíbe a venda de cigarros para menores de 18 anos de idade. Métodos: Foram utilizados dados de acesso à compra de cigarros obtidos por meio de uma pesquisa de âmbito nacional, realizada em 2015, entre jovens escolares de 13 a 17 anos. Foram estimadas as proporções simples de tentativa de comprar cigarros; sucesso dessa tentativa; compra regular de cigarros; e compra regular de cigarros em lojas ou botequins. Todas as estimativas foram estratificadas por sexo, faixa etária e macrorregiões brasileiras. Para avaliar as diferenças absolutas, brutas e ajustadas, das proporções das categorias consideradas em relação às variáveis analisadas, foi utilizado um modelo linear generalizado com distribuição binomial e função de ligação identidade. Resultados: Aproximadamente 7 em cada 10 fumantes adolescentes tentaram comprar cigarros pelo menos em uma ocasião nos 30 dias anteriores à pesquisa. Desses, aproximadamente 9 em cada 10 obtiveram sucesso, sendo que jovens entre 16-17 anos (vs. 13-15 anos) foram menos impedidos de comprar cigarros (diferença absoluta ajustada = 8,1%; p ≤ 0,05). Aproximadamente 45% de todos os fumantes brasileiros entre 13 e 17 anos de idade referiram ter comprado regularmente os seus próprios cigarros sem serem impedidos, e, desses, 80% relataram tê-los comprado em lojas/botequins (vs. vendedores ambulantes). Conclusões: Nossos achados trazem um importante alerta de saúde pública e podem contribuir para apoiar ações educativas e de fiscalização no sentido de reforçar o cumprimento das leis antitabaco já existentes no Brasil, que vêm sendo desrespeitadas.

 


Palavras-chave: Fumar/epidemiologia; Fumar/legislação & jurisprudência; Comportamento do adolescente; Saúde pública.

 

7 - Prevalência da infecção latente por Mycobacterium tuberculosis em transplantados renais

Prevalence of latent Mycobacterium tuberculosis infection in renal transplant recipients

Mônica Maria Moreira Delgado Maciel1,2,a, Maria das Graças Ceccato3,b, Wânia da Silva Carvalho3,c, Pedro Daibert de Navarro1,d, Kátia de Paula Farah1,e, Silvana Spindola de Miranda1,f

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Resumo English Text

Objetivo: Estimar a prevalência da infecção latente por Mycobacterium tuberculosis (ILTB) em transplantados renais e avaliar as associações sociodemográficas, comportamentais e clínicas com a prova tuberculínica (PT) positiva. Métodos: Estudo transversal, com pacientes com idade ≥ 18 anos, transplantados renais no Centro de Transplante Renal do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte (MG). Foram incluídos os pacientes submetidos a transplante renal que realizaram a PT no período entre janeiro de 2011 e julho de 2013. Quando o resultado da primeira PT foi negativo, uma segunda PT foi realizada. As análises bivariada e multivariada, por meio de regressão logística, foram utilizadas para determinar os fatores associados com PT positiva. Resultados: A amostra incluiu 216 pacientes. A taxa de prevalência para ILTB foi de 18.5%. Na análise multivariada, história de contato com caso de tuberculose e função do enxerto preservada (taxa de filtração glomerular estimada ≥ 60 ml/min/1,73 m2) foram associadas com PT positiva. O incremento da primeira PT para a segunda PT foi de 5,8%, considerado significante (p = 0,012). Conclusões: A prevalência da ILTB foi baixa nessa amostra de pacientes transplantados renais. A PT deve ser efetuada quando a função do enxerto renal estiver preservada. Uma segunda PT deve ser realizada quando a primeira PT for negativa.

 


Palavras-chave: Tuberculose; Teste tuberculínico; Hospedeiro imunocomprometido.

 

Artigo de Revisão

8 - Síndrome de obesidade-hipoventilação: uma revisão atual

Obesity hypoventilation syndrome: a current review

Rodolfo Augusto Bacelar de Athayde1,2,a, José Ricardo Bandeira de Oliveira Filho1,b, Geraldo Lorenzi Filho2,c, Pedro Rodrigues Genta2,d

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Resumo English Text

A síndrome de obesidade-hipoventilação (SOH) é definida pela presença de obesidade (índice de massa corpórea ≥ 30 kg/m2) e hipercapnia arterial diurna (PaCO2 ≥ 45 mmHg), na ausência de outras causas. A SOH é frequentemente negligenciada e confundida com outras patologias associadas à hipoventilação, em particular à DPOC. A importância do reconhecimento da SOH se dá por sua elevada prevalência, assim como alta morbidade e mortalidade se não tratada. Na presente revisão, abordamos os recentes avanços na fisiopatologia e no manejo da SOH. Revisamos a utilidade da medição do bicarbonato venoso como rastreamento e os critérios diagnósticos que descartam a necessidade de polissonografia. Destacamos ainda os avanços no tratamento da SOH, incluindo medidas comportamentais, e estudos recentes que comparam a eficácia do uso de pressão positiva contínua nas vias aéreas e de ventilação não invasiva.

 


Palavras-chave: Obesidade; Síndrome de hipoventilação por obesidade; Ventilação não invasiva.

 

 


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